30/07/2010
Desperdício
Tubos de irrigação, vidros quebrados e papelão. Esta é a visão de quem passa na BR-110, logo na saída de Mossoró para Upanema. No local, montanhas de lixo estão amontoadas às margens da pista. Só nos primeiros 9 quilômetros de extensão, próximo ao conjunto Sumaré, nossa equipe de reportagem contou trinta montes de resíduos. Grande parte do material é reciclável.
Para Alex Moacir, secretário de Serviços Urbanos, Trânsito e Transportes Públicos de Mossoró, o local onde o lixo está acumulado ultrapassa os limites do município. "Ali já não está mais no perímetro urbano de Mossoró", disse. "Quem cuida é o Dnit - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes. Mas os serviços do departamento aqui são praticamente inexistentes, talvez por isso que se acumule lixo lá".
De acordo com o secretário, há pouco mais de três meses, a prefeitura e a Polícia Rodoviária Federal realizaram um trabalho conjunto de limpeza nos limites do conjunto Sumaré. "Fizemos esse trabalho e colocamos faixas, placas, enfim, sinalização para não colocarem lixo lá. E até onde eu sei, nos limites onde a responsabilidade é nossa, o local continua limpo". Mas não está. Não há nem mesmo a sinalização citada.
O lixo, no entanto, é depositado por mossoroenses. Quanto a isso, o gerente da Gestão Ambiental, Mairton França, disse que o problema só poderá ser resolvido com o tempo. "Acredito que no futuro este tipo de problema vai ser evitado. Isso ainda ocorre porque os programas de educação ambiental são uma coisa muito recente aqui".
Mairton se refere ao Plano Municipal de Educação Ambiental, lançado em dezembro do ano passado pela Prefeitura de Mossoró. A ideia é que toda empresa passe por um processo de licenciamento ambiental. Só poderão atuar no mercado local empreendimentos que tenham comprovação de não-prejuízo ao meio ambiente. "Mas é tudo muito recente. Infelizmente, por enquanto, ainda temos que enfrentar esse tipo de situação".
Com relação ao entulho na BR-101, Mairton disse que não sabia que o problema existia. Apesar disso, vai mandar uma equipe de fiscalização ambiental hoje para averiguar a situação. Esta mesma equipe ficará responsável para verificar quem são os causadores da sujeira.
"Estamos trabalhando para evitar esses problemas. Até o final do ano vai haver concurso público para que possamos contratar mais fiscais", garante Mairton. Segundo o gerente, uma comissão já está formada para lançar o edital. "Só não podemos pôr em prática a realização do concurso porque estamos em período eleitoral". E até que tudo se resolva, como a prefeitura vai fazer para lidar com esse tipo de situação? "Resta esperar" - é o diagnóstico.